Produtos Teen

Erica Franquilino


Universo adolescente  Comportamento  Relação com as marcas

 
 
 
 
 


 

Universo adolescente

Matéria publicada na revista Edição Temática - Agosto de 2015 - Nº 29 - Ano 10

 O mapa da adolescência na atualidade oferece informações ricas e heterogêneas sobre nossos meninos e meninas. Os contrastes estão presentes nos variados grupos, “realidades” e perfis de consumo. Contudo, apesar das diferenças, eles apresentam como traço comum a ambiguidade, característica que permeia essa fase de transição entre a infância e a vida adulta.

   “Adolescentes gostam de autonomia, são protagonistas na busca de informações em todos os sentidos, e querem se sentir incluídos, mas, ao mesmo tempo, gostam de se diferenciarquando estão dentro do grupo. Diferentemente das geraçõesanteriores, eles ensinam aos pais sobre muitos assuntos,como tecnologia, beleza e moda. Antenados e mais voláteis, gostam e desgostam de produtos e serviços e são menos fieis às marcas,porque encontram substitutas facilmente. Há uma curiosidade quase permanente em relação a novas descobertas”, sintetiza a antropóloga Hilaine Yaccoub.

   A delimitação da faixa etária que corresponde à adolescência tem classificações variadas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a adolescência abrange o período entre 10 e 19 anos de idade. Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, criança é a pessoa com até 12 anos incompletos, enquanto adolescente é quem tem entre 12 e 18 anos. Já o Estatuto da Juventude defi ne como jovens as pessoas de 15 a 29 anos.

    Dados do Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística (IBGE) – parte do Censo Demográfico 2010 – apontavam a existência de aproximadamente 37 milhões de crianças e jovens entre 8 e 18 anos no Brasil. Ainda de acordo com o Censo 2010, os homens eram maioria entre os brasileiros de a 19 anos. O levantamento feito para o Censo 2010 também indicava que quase 661,2 mil pessoas entre 15 e 19 anos eoutras 132 mil entre 10 e 14 anos eram as responsáveis porseus próprios domicílios. Outra pesquisa do IBGE, intitulada “Síntese de indicadores sociais – Uma análise das condições de vida da população brasileira, 2014”, ressalta que, mesmo com os avanços na inserção dos jovens na escola e no mercado de trabalho, merece de taque a proporção daqueles que não trabalhavam nem estudavam no ensino regular, no período de realização da pesquisa, em 2013. Na parcela de jovens de 15 a 29 anos,praticamente um em cada cinco não freqüentava escola de ensino regular e não trabalhava. No grupo de 15 a 17 anos,essa proporção foi de 10,2%, enquanto entre aqueles com 18 a 24 anos a incidência chegou a 24%. Entre os jovens de 15 a 29 anos que não trabalhavam ou estudavam, uma proporção elevada (45,8%) residia nas regiões Norte e Nordeste.

   Segundo o Observatório do PNE (Plano Nacional de Educação),a recente melhora das taxas de fluxo escolar no Ensino Fundamental fez aumentar o número de matrículas no Ensino Médio. No entanto, o Brasil ainda tem de percorrer um longo caminho em direção aos patamares considerados ideais nesse quesito. Cerca de 2,9 milhões de crianças e jovens brasileiros de 4 a 17 anos estão fora da escola. Destes, aproximadamente 1,6 milhão são jovens de 15 a 17 anos que deveriam estar cursando o Ensino Médio.


Comportamento

   A antropóloga Letícia Veloso lembra que, desde a década de 1950, estamos acostumados a relacionar a adolescência a uma etapa turbulenta, de descobertas, emoções confusas e rebeldia. “A adolescência é vista como uma fase de transição, uma passagem, uma etapa de ligação entre duas outras fases. O comportamento dos adolescentes é visto como errático, exagerado e confuso, como se não soubessem muito bem o que estão fazendo e como se não tivessem muita preocupação com regras”, diz Letícia.
   Apesar dos elementos comuns a outras gerações, ela destaca alguns pontos específicos no comportamento dos teens da atualidade. Uma dessas características é a ambiguidade,que se manifesta através do amadurecimento precoce – em razão do acesso a todo tipo de informação – e dos traços de imaturidade típicos dessa fase, quando não “sabemos” como as roupas limpas chegam até o armário.

    “Essa ambiguidade tem efeitos, por exemplo, nos comportamentos de compra: eles sabem se informar ao máximo sobre marcas e produtos [...] e podem influenciar a família de formas que antes não se via. Eles é que sabem qual é o melhor gadget, a melhor televisão e o melhor smartphone. Mas, como não têm muita noção de dinheiro, nem controle sobre ele, podem acabar criando demandas, para eles e as famílias, que estão fora do orçamento, por exemplo”, ela comenta. 
   Letícia destaca um aspecto bastante positivo na atual geração de adolescentes: eles sabem buscar informações de forma mais assertiva do que os adultos, “e sabem filtrá-las mais do que se imagina”, diz a antropóloga.

    “Sabem navegar na internet de forma a encontrar informação detalhada sobre um tipo de esporte com o qual se identificam, uma banda de música, uma marca de roupa ou uma empresa de tecnologia. Encontram endereços de lojas e pesquisam preços com muito mais facilidade do que qualquer adulto e sabem ler ‘reviews’ e sites especializados para saber o que vale a pena ou não”, comenta. Essa geração de adolescentes sabe se informar “com um grau de detalhe absurdo” sobre as coisas que lhes interessam. “Eles gostam de buscar esta informação e sabem utilizá-la – às vezes até ‘ensinando’ os pais”, acrescenta.

   A relação de crianças e adolescentes com o ambiente virtual também traz preocupações. De acordo com uma pesquisa da Intel Security, divulgada em junho deste ano, um em cada três (33%) filhos mudam seu comportamento quando sabem que os pais estão os vigiando e cerca de metade das crianças e dos adolescentes brasileiros (48%) escondem algumas de suas atividades dos pais. São hábitos comuns apagar o histórico do navegador (alternativa mencionada por 23% dos entrevistados), apagar mensagens (20%), usar um dispositivo móvelem vez de laptop ou desktop (17%) e minimizar o navegador quando adultos estão por perto (16%).

    A pesquisa “Realidade cibernética: O que os pré-adolescentes e adolescentes estão fazendo on-line”, examinou globalmente os comportamentos online e os hábitos nas redes sociais de crianças e adolescentes com idades entre 8 e 16 anos. A sondagem também avaliou quais são as principais preocupaçõesdos pais em relação ao comportamento dos filhos.No Brasil, a pesquisa foi realizada com 1.014 participantesncluindo pais e filhos. Segundo os filhos, as piores coisas que podem acontecer com eles na internet é ser hackeado (52%), as pessoas descobrirem sua localização e suas informações pessoais (42%), interagir com estranhos (33%), ser vítima de cyberbullying (29%) e ter segredos que possam afetar sua reputação revelados (27%). Veja mais informações sobre a pesquisa no box da página 9.

   Hilaine acredita que, entre os adolescentes, o Facebook “está morto”. “Como os pais e familiares frequentam esse ambiente virtual, eles se sentem vigiados.
   Eles gostam mesmo é da privacidade do Snapchat, do Instagram e do WhatsApp.Costumam ter vários grupos de discussão, com diferentes interaçõese temas”, ela ressalta. Curiosos e conectados à internet praticamente o tempo todo, buscam novidades junto a amigos e tutoriais. “Adolescentes gostam de fazer novas descobertas, seja o melhor tutorial para uso de um novo modelo de telefone, seja uma nova cor deesmalte que será lançada”, completa. Ela lembra que os pais cumprem um papel intermediário nas conquistas de consumo dos teens. “Como eles não trabalham, especializam-se em discursos mais legítimos para o convencimento dos pais, seus patrocinadores. Ao mesmo tempo, os pais se valem dessa expertise no aprendizado dos aplicativos ou de dicas de moda. Há, muitas vezes,uma inversão de papéis no campo do consumo”, aponta Hilaine.


Relação com as marcas

   No início de 2014, os episódios que ficaram conhecidos como rolezinhos ganharam visibilidade no noticiário nacional e até no internacional. Nesses eventos, adolescentes das periferias de centros urbanos, como São Paulo e Porto Alegre, reuniam-se em grande número para passear nos shopping centers. A movimentação causou apreensão nos frequentadores desses centros comerciais e fez que alguns proprietários de lojas conseguissem o direito, na justiça, de proibir a realização dos encontros.
 
   “No âmbito global, os rolezinhos são um produto da expansão do capitalismo e reproduzem a matriz de significados presente no comportamento de consumo de diversas periferias urbanas do mundo: jovens que veneram marcas globais e que, ao ostentá-las, produzem um contraste com o contexto social de penúria em que estão inseridos”, diz um trecho do artigo “Rolezinhos: marcas, consumo e segregação no Brasil”, publicado na Revista de Estudos Culturais, do Programa de Pós-Graduação em Estudos Culturais da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH/USP).
 
   A adesão de jovens da periferia ao uso de marcas de grife – vale lembrar que elas também marcam presença nas letras do chamado funk ostentação – não é uma novidade e não está restrita aos brasileiros. “O fenômeno está em vários lugares do mundo, como na Inglaterra, onde existe a turma dos ‘chavs’, também conhecidos como grupos da periferia de Londres, que adotaram a caríssima marca Burberry como sua preferida. Ficou comum ver ‘chavs’, muitos deles desempregados, andando pelas ruas de Londres com blusões da Burberry”, diz outro trecho do artigo mencionado anteriormente.
 
   A marca importa muito para os adolescentes, embora sua relevância esteja relacionada ao grupo e ao tipo de produto. “É necessário saber de qual tipo de grupo se está falando para entender melhor o papel das marcas para eles. Isso não tem só a ver com a renda, é uma combinação de fatores, como estilo de vida e as ‘tribos’ a que os jovens pertencem. Para alguns grupos, é cool gostar de marcas e ter as marcas certas, enquanto que, para outros, essa preocupação é vista como algo ruim”, aponta Letícia.
 
   Para a antropóloga, a atual geração de adolescentes se relaciona muito bem com a família, que exerce grande influência sobre suas escolhas. “Numa pesquisa da qual participei, com mais de 800 jovens em três cidades, a maior parte dos entrevistados apontava mãe e pai como ‘a pessoa mais influente em sua vida’. Ou seja, não é uma ‘juventude transviada’ ou rebelde. É uma juventude que respeita e ouve a família, inclusive no quesito marca”, diz Letícia.
 
   Os amigos, tanto no ambiente “real” como no virtual, também são muito influentes, mas a primeira referência é a família. A exceção nesse contexto é a influência exercida por formadores de opinião na internet. Grupos paralelos organizados em redes sociais, em torno de interesses específicos, influenciam-se mutuamente. “Em determinados casos, pessoas que o adolescente nunca viu pessoalmente podem, sim, saber mais sobre esta marca de roupa ou aquela marca de chuteiras do que pais, mães e outros amigos”, afirma.
 
   Já a lealdade à marca está relacionada a diversos fatores, dentre eles o histórico familiar em relação ao uso do produto 
Marcas que oferecem artigos para todas as fases da vida e se adaptam às transformações de seus públicos, transitando bem entre as diferentes faixas etárias, têm mais chances de acompanhar o consumidor quando este ingressa na fase adulta.
“A marca precisa de constante renovação, como no caso do Google e até mesmo da Apple. Esses jovens buscam participação
ideológica. A marca precisa ter status de religião, o jovem precisa ser encantado [...]. Assim, ele buscará informações e será um defensor dela, influenciando e sendo influenciado, dependendo do contexto”, diz Hilaine.
 
   Letícia acrescenta que, se a marca tem grande identificação apenas com o público abaixo de 18 anos, por exemplo, “os adolescentes a abandonarão, assim que ultrapassarem aquela idade”. A adesão a novos hábitos ou estilos de vida também
está entre os fatores que determinam a preferência por determinadas marcas no período pós-adolescência.


Tendências de consumo em higiene e beleza

 
  Em momentos de aperto, como o atual, a relação custo x benefício se torna ainda mais relevante. “A beleza natural e fresca dos adolescentes ajuda nessa relação [...]. Os tutoriais com itens alternativos aos produtos mais caros acabam sendo uma tática usada por muitos deles”, diz Hilaine.
  Letícia coordena um projeto de pesquisa com foco na indústria da beleza. O estudo “A Indústria da Imagem/Aparência no Brasil Hoje: Produção, Circulação e Consumo de Produtos de Beleza” teve início em agosto de 2012 e deve ser concluído em julho de 2016.
  Ela aponta que os teens valorizam cada vez mais as inovações tecnológicas. Produtos capilares que oferecem benefícios específi cos para cabelos cacheados, tingidos ou com queda, por exemplo, têm forte apelo entre eles. “Maquiagens ‘high-tech’, que ofereçam resultados rápidos, durem o dia todo e respeitem a pele sensível da adolescente, como os BB e CC creams, aqueles que oferecem tecnologia ‘blur’, produtos multifuncionais, ou as bases em formato de ‘cushion’ – como a recém-introduzida pela Lancôme – são uma forte tendência”, afirma Letícia.
 
   As adolescentes brasileiras, embora ainda não usem a mesma quantidade de maquiagem que as norte-americanas, por xemplo, tendem a aumentar seu consumo à medida que experimentam novos produtos. “A escolha hoje é muito farta, a internet ‘ensina’ como usar os produtos e quais são as tendências. No mundo inteiro, a maquiagem vem ganhando espaço, inclusive entre homens. Tudo isso contribui para uma mudança nos padrões de comportamento das teens brasileiras, em direção ao maior uso da maquiagem no dia a dia”, ressalta.
 
   Os conteúdos sobre beleza que circulam na internet oferecem às adolescentes a possibilidade de acesso a informações sobre produtos que ainda nem chegaram ao país. Nesse contexto, elas podem agir “como vozes importantes na disseminação de informações no Brasil e na demanda pela chegada deste ou daquele produto. Assim, por exemplo, as teens sabem que ‘todas as maiores inovações recentes estão vindo da Ásia’ e estão ávidas por esses produtos”, diz.
 
   A busca por novidades internacionais convive com a valorização das marcas brasileiras. Letícia salienta que várias marcas nacionais de cosméticos mantêm uma relação afetiva com brasileiros e brasileiras de diferentes segmentos e faixas de renda. “A tendência, aqui, é a valorização do que é específico aos consumidores brasileiros: matéria-prima tipicamente brasileira, como é o caso da Natura, ou o investimento que a Dermage e a Adcos, dentre outras empresas, fazem para entender a pele brasileira”, aponta a antropóloga.
 
   No que diz respeito à higiene e aos cuidados com a pele, a multifuncionalidade e a combinação entre beleza e saúde são as tendências predominantes. “No Brasil, temos uma combinação tríplice entre higiene, beleza e saúde: um ‘cleanser’ é bom quando limpa direito, deixa a pele bonita e cuida da saúde da pele. As adolescentes têm a preocupação com a higiene desde pequenas, e isso se mantém à medida que crescem”, conclui.
 

 

Potencial para ser grande

 O mercado de produtos para adolescentes segue em fase de crescimento e investe na diversificação

     O mercado brasileiro de cosméticos para adolescentes não conta com dados específicos sobre sua representatividade. No entanto, com base em informações sobre comportamento e hábitos de consumo dessa parcela da população, é possível vislumbrar tendências e identificar oportunidades. A presença em redes sociais, os lançamentos com assinaturas de celebridades e o desenvolvimento de produtos para uso profissional são algumas das apostas da indústria. O portfólio da Avon oferece a linha de maquiagem Color Trend, direcionada ao público adolescente que está começando a se maquiar. “Essa linha possui cores fortes e impactantes, que têm o perfil despojado desse público”, informa a Avon. A Color Trend é composta por base, corretivo, pó compacto, batom, brilho, delineador, 

esmalte, lápis para olhos e máscara para cílios. A última novidade da linha é a coleção Color Trend Próximo Destino, para “garotas com espírito aventureiro e livre, que estão sempre prontas para viajar com seus amigos, explorar novos lugares e vivenciar novas experiências”, destaca a empresa.

   A linha Clearskin, também voltada ao público teen, é composta por produtos para o tratamento de acne, como adstringente, gel facial de limpeza profunda, esfoliante facial, gel secativo e máscara removedora de cravos e manchas. A Avon ainda investe em fragrâncias assinadas por celebridades, como a Katy Perry Queen’s Royal Revolution, da cantora Katy Perry.

   Em parceria com a rede de salões de beleza Jacques Janine, a Phisalia lançou recentemente a linha Phisalia Jacques Janine, para meninas a partir dos 12 anos. A linha traz a tecnologia “Girls Hair Tech”, que promete cabelos macios e sem nós. Formada por shampoos, condicionadores, cremes para pentear e máscaras capilares, a linha está disponível nas versões Hidratação (com vitamina E, ômegas 6 e 9 e queratina), Cacheados (com pró-vitamina B5, queratina e manteigas emolientes) e Lisos (com pró-vitamina B5, queratina e tamarindo). 

A Biotropic possui linhas específicas para atender o público teen, como os desodorantes aerossóis e os body splashes das marcas licenciadas Cinderela, Barbie e Monster High, além da inusitada linha Cabeças Big, composta por sabonetes líquidos com a franquia Hora da Aventura e os shampoos 2 em 1 das licenças Avengers e Star Wars.


   “Os produtos Biotropic destinados ao público teen são cuidadosamente desenvolvidos para atender esses consumidores, que são muito exigentes. Os ativos utilizados são de alta performance, buscando atender às necessidades específicas destes consumidores e preservando suas características de suavidade”, comenta Patrícia Corsi, coordenadora de Marketinge Produtos da Biotropic.

   Entre as linhas mais vendidas está a Cinderela. A linha conta com o apelo lúdico das embalagens, que remetem ao castelo da personagem. “Os desodorantes aerossóis Barbie também têm excelente receptividade”, diz. Facebook e Instagram são as plataformas usadas pela empresa para estreitar a comunicação com o público adolescente, além de ações específicas nos pontos de venda.

   Patrícia acredita que o mercado de produtos voltados aos adolescentes deve se fortalecer nos próximos anos. “Pesquisas revelam que os adolescentes já estão influenciando o mercado. Como são mais confiantes, ansiosos por mudanças, dinâmicos, ecléticos, ágeis e gostam de assumir papéis ativos dentro de seus grupos, buscam produtos e serviços que satisfaçam suas necessidades. Diante desse cenário, é extremamente importante detectar as demandas específicas deste target e oferecer produtos com apelos e ativos específicos – e conceitos inovadores”, argumenta.


Salões de beleza

  A K.Pro, que tem seu foco de atuação em salões de cabeleireiros, oferece ao mercado a linha Petit K. Pro Profissional Teen. “Desenvolvemos o primeiro tratamento para os cabelos teen com formulação realmente profissional. A aposta no nicho, inicialmente, era para atender salões especializados. Porém, rapidamente os produtos foram conquistando nossos clientes e conseguimos uma ótima conexão com o mercado de salões em geral”, conta Renato Cunha, gerente comercial da empresa.
 
  “A linha, que é extrassuave e hidratante, alia limpeza balanceada com espuma cremosa e sedosidade. Ela inicia o processo de tratamento dos fios desde a infância, com ativos cuidadosamente selecionados, como extrato de marshmallow e queratina. Os produtos são indicados para crianças e adolescentes com cabelos sensibilizados por agressões externas ou até mesmo para aqueles que já processam quimicamente os cabelos”, acrescenta. O executivo adianta que há planos para aumentar a linha - atualmente composta por shampoo, condicionador e leave-in - com a inclusão de novos itens para os tratamentos realizados no salão e também para home care.


Tempo de mudanças

O excesso de oleosidade na pele e nos cabelos é um dos problemas típicos da adolescência. Saiba mais sobre as alterações fisiológicas e as principais demandas dos teens e confira sugestões de matérias-primas para a formulação de produtos
  A satisfação em relação à própria aparência tem um significado particularmente especial para o adolescente – que, de repente, se vê diante de uma série de mudanças (nem sempre bem--vindas). Além de novas responsabilidades e das expectativas mais rigorosas em relação ao seu comportamento, ele precisa lidar com um turbilhão de transformações físicas.


A culpa é dos hormônios?

  A puberdade é a etapa inicial da adolescência, quando meninos e meninas passam por transformações físicas e biológicas. Nesse período (em geral dos 8 aos 13 para as meninas e dos 9 aos 14 para os meninos), os órgãos sexuais se desenvolvem.  Para os garotos, é a fase do surgimento de pelos pubianos, do crescimento do pênis e dos testículos, do engrossamento da voz e da primeira ejaculação. Nas meninas, algumas das mudanças são o começo da menstruação, o desenvolvimento das glândulas mamárias, o aparecimento de pelos na região pubiana e nas axilas e o crescimento da região da bacia.
 
   “Quando o menino e a menina atingem os seus 11 ou 12 anos, tem início uma explosão de hormônios, que começam a transformar o corpo de cada um. Eles passam de crianças para ‘quase adultos’. Esse processo geralmente vai dos 11 aos 18 anos”, comenta a dermatologista Silvia Zimbres. “Nesse período, os hormônios estão borbulhando e agem diretamente nas glândulas sebáceas, estimulando a produção de sebo. O sebo, por sua vez, entope os poros, formando os cravos que, quando infl amam, se transformam em espinhas”, explica.
 
  Os hormônios sexuais, que começam a ser produzidos na puberdade, são os principais responsáveis por alterações das características da pele e pelo desencadeamento de problemas como a acne. “A partir dos 14 anos, as reclamações dos adolescentes começam a aumentar, dado que 85% deles têm problemas com acne. Os poros podem entupir tanto, que, em alguns casos, chegam a se transformar em pequenos cistos”, diz Silvia. A acne ainda pode ser causada por predisposição genética, hereditariedade, menstruação irregular, bactérias e higiene inadequada, dentre outros fatores.
 
  As alterações hormonais também influenciam o comportamento do adolescente, assim como as conquistas e frustrações que ele experimenta nesse período. Uma somatória de fatores, de ordem física e emocional, faz da adolescência uma fase de instabilidade, na qual variações repentinas de humor são comuns.


Cuidados essenciais

   Silvia lembra que, durante a adolescência, a pele está no auge de sua vitalidade, com viço, luminosidade e contornos bem definidos. Aos poucos, “os problemas hormonais da adolescência vão ficando para trás e as glândulas de óleo, que hidratam e dão firmeza à pele, funcionam a todo vapor”, diz a médica. “As células da pele contêm fortes ligações de colágeno e elastina, que asseguram a sua fi rmeza e o seu brilho”, acrescenta.
 
    Ela indica a limpeza de pele, procedimento que deve ser realizado regularmente por um profissional especializado, bem como a utilização de produtos hidratantes e antioxidantes – de acordo com o tipo de pele. “Lavar o rosto, especialmente com água quente, remove os óleos naturais. É aconselhável utilizar uma solução de limpeza suave, com hidratante em vez de sabonete, e, depois, um hidratante leve”, diz. É fundamental evitar a exposição ao sol, uma vez que os danos provocados nessa fase aparecerão mais tarde, na forma de manchas e rugas. A hidratação interna é outro cuidado importante. Silvia recomenda a ingestão de, ao menos, oito copos d’água por dia.
 
   Já no que diz respeito a produtos como tinturas e alisantes, o ideal é que tais itens sejam utilizados após a puberdade. “No caso das meninas, de preferência, dois anos após a primeira menstruação. Antes disso, os fios ainda sofrem com as alterações
provocadas pelos hormônios, o que pode torná-los mais frágeis e quebradiços”, ela explica.


Características das formulações e matérias-primas

   Medidas simples, como o uso de cosméticos adequados e não-comedogênicos, podem ajudar a controlar a acne. Os hidratantes devem ter um toque mais seco, como as variantes em gel. É melhor evitar as versões em creme ou loção, “a não ser que sejam específicas para peles oleosas”, diz Juliana Frutuoso, gerente de negócios da Beraca. “Os sabonetes precisam ser antissépticos e bactericidas, e os adstringentes devem conter ativos calmantes. O protetor solar deve ser especifico para pele oleosa e os shampoos destinados também aos cabelos oleosos”, completa.
 
   Do portfólio da Beraca, ela destaca o ativo Triple A, anti-acne que regula o equilíbrio hidrolipídico da pele, os óleos de maracujá (não-comedogênico), de copaíba (antimicrobiano) e de andiroba (anti-inflamatório), além do ingrediente Dermosof Decalat, “alternativa 100% natural ao triclosan, climbazol, octopirox e Zn-Pyrithione”.
   Os ingredientes são de fácil aplicação e podem ser incorporados a várias categorias de produtos. “Com exceção do Dermosoft Decalact, os demais são apresentados na forma de óleo, e a maioria possui certificação orgânica e conta com uma cadeia de fornecimento sustentável e rastreável”, afirma.
 
  Mariana Olivato, gerente de Tecnologia & Inovação da Cosmotec, lembra que, para agradar e atrair o público jovem, é importante desenvolver formulações cosméticas com características especiais, texturas que transmitam conforto durante a aplicação e sensorial leve. “Em skin care, uma das principais preocupações é o controle da acne e da oleosidade. Já em aplicações capilares, a recuperação de danos, o aumento do brilho e a busca por cores vibrantes, tanto em maquiagem como para os cabelos, são preocupações que estão cada vez mais em destaque”, diz.
 
   Dentre os ingredientes da Cosmotec aplicáveis em produtos para auxiliar o tratamento da acne está o Biogenic SA-200, ácido salicílico encapsulado por uma estrutura oligomérica, que facilita a solubilização em água mesmo em altas concentrações. O ativo pode ser adicionado a sabonetes, tônicos e loções.
  Mariana também menciona os corantes temporários e semi-permanentes da linha Jarocol. Em formulações tonalizantes, eles oferecem tons vibrantes ou variações pastel de cores como rosa, azul, laranja e verde, além das tonalidades tradicionais.
 
  Para proteção da cor e perfumação prolongada dos cabelos, ela sugere o Meadowquat HG 70, “um agente condicionante quaternário, que contém em sua estrutura grupamentos lipídicos derivados do óleo de meadowfoam [nome popular da planta cuja denominação científica é Limmanthes alba], que confere maleabilidade, aumento da força tensora e retenção da cor aos cabelos”. O ativo também prolonga a duração da fragrância, em produtos para a pele e para os cabelos.
 
   Para Renata Solfredini, gerente de marketing Skin Care para a América Latina da Croda, a tendência ao excesso de oleosidade da pele demanda formulações com conceito oil free e sem silicones. “A saída é o uso de ésteres emolientes mais leves, sem efeito oclusivo e de baixo impacto em pele, que promoverão o sensorial adequado, tão essencial a este tipo de consumidor, guiado pelas tecnologias touch”, comenta. “É importante lembrar que claims para peles sensíveis e produtos dermatologicamente testados são importantíssimos para esta faixa etária”, acrescenta.
 
  Renata ressalta que sabonetes e produtos para limpeza facial, quando excessivamente agressivos, podem remover toda a barreira de proteção da pele, estimulando uma produção de sebo ainda maior. “Esse efeito rebote indesejado é muito comum, e a solução mais adequada é o uso de tensoativos suaves e sistemas de limpeza efetivos para a remoção de impurezas e sujidades, que estimulem o equilíbrio da flora protetora da pele, mantendo a integridade da barreira e a hidratação. Isso também vale para os removedores de maquiagem”, diz. Ela salienta que soluções micelares, microemulsões, emulsões de limpeza e outros formatos podem ser alternativas aos sabonetes líquidos convencionais.
 
  Formatos divertidos, texturas diferenciadas e inovações visuais atraem o publico adolescente. Renata menciona como exemplos as linhas de polímeros OleoCraft e Volarest FL, “que suspendem partículas e atuam em formatos inovadores de body splashes, perfumes em stick, batons ‘fun’ com suspensão de glitter, e em outros formatos lúdicos e que possam ser adaptados ao conceito ‘feito para mim’”.
 
  Para atender às demandas de limpeza efetiva sem ressecamento, os destaques da Croda são os ingredientes:
DuraQuench IQ SA – complexo hidratante que se adapta às necessidades da pele em diferentes ambientes, controlando a hidratação por até 72 horas. Novos testes comprovam ação hidratante duradoura em sistemas enxaguáveis, como sabonetes
de limpeza facial hidratante, hidratantes para banho e sabonetes em geral, diminuindo a agressividade dos sistemas.
Crodamol IPIS - éster emoliente com excelentes propriedades de remoção de maquiagem e alto potencial hidratante.
Versafl ex V-150 - leve e suave, apresenta propriedades “quick breaking” na emulsão, liberando rapidamente a fase oleosa em emulsões de limpeza. Processável a frio, é 100% natural e fluido para lenços e sprays.
Natragem S-140 - solução micelar de limpeza, ideal para peles sensíveis e com ação comprovada
no controle da irritabilidade proveniente dos demais tensoativos. “É eficaz na remoção de maquiagens e impurezas em sistemas aquosos e custo-efetivos”, diz Renata.
Crodasinic LS-30 - surfactante de limpeza efetiva e suave, que promove espuma abundante e cremosa, livre de sulfatos. Possibilita a formulação de mousses de limpeza e sabonetes líquidos sem o indesejável “efeito rebote”.
Ecodermine - combate os problemas da pele acneica e reativa, ajudando a preservar e balancear seus mecanismos naturais de defesa.
Ac.net - ativo multifuncional para acne e oleosidade, que atua inibindo a enzima 5-alpha redutase para combater a hiperseborreia. Ajuda a controlar o crescimento bacteriano, além de atuar no crescimento celular, inibindo a hiperqueratose
e a inflamação.
 
  Renata também menciona a linha de emulsionantes Natragem E Series e o ativo ViscOptima SE. A Natragem E Series é composta pelos itens: NatraGem EW e NatraGem E145. O primeiro é uma cera emulsificante com boa eficácia e propriedades de estabilização e espessamento, capaz de criar formulações que variam de loções a cremes de alta viscosidade – e que não embranquecem a pele. Já o NatraGem E145 é um emulsionante óleo em água versátil, com alto HLB, ideal para sistemas de baixa viscosidade e formuláveis a frio. É aplicável em filtros solares e nos produtos em spray.
 
  Produto multifuncional, o ViscOptima SE é um modificador de reologia líquido, que pode ser utilizado para emulsificar e estabilizar altas concentrações de ativos e emolientes em uma formulação. É um espessante que pode criar cremes viscosos a baixas concentrações de inclusão, deixando uma sensação de pele macia.
  “O corpo e a mente necessitam de produtos cosméticos específicos para atender uma nova geração de teens, caracterizados por muita conectividade e complexidade”, salienta Cristina Unten, analista de marketing da Sarfam. Para Cristina, produtos para modelagem capilar são essenciais ao público jovem masculino e para as teens. “Cada vez mais cedo, eles descobrem a mágica de mudar a cor dos cabelos e o trabalho necessário para domar e cuidar dos fios”, ela comenta.
  “O fator hormonal faz surgirem os indesejados pelos no corpo, e a categoria de depilatórios teens se destaca, além dos antiperspirantes, que combatem o odor característico dessa fase de mudanças. Para esses consumidores, a fragrância da formulação pode fazer a diferença no momento da escolha”, acrescenta.
 
  Para o controle da oleosidade da pele, ela ressalta as propriedades do Unitrienol T-272, ativo hidrossolúvel que colabora para o equilíbrio da pele, mantendo a sua hidratação e controlando a produção sebácea de forma imediata e em longo prazo. O ingrediente também tem ação antimicrobiana e antifúngica. É indicado para aplicação em shampoos, loções, sabonetes antissépticos, esfoliantes de limpeza profunda, géis secativos e itens de maquiagem, entre outros produtos.
 
  O Alp Sebum também age no controle da oleosidade cutânea, mas por meio da inibição da enzima 5-alpha redutase e com efeito anti-inflamatório. Ele reduz gradativamente os poros dilatados, por meio do controle da secreção sebácea. Pode ser aplicado em produtos como corretivos faciais, loções, primers e emulsões.
 
   O NanoSal, molécula nanotecnológica desenvolvida a partir do ácido salicílico, promove renovação celular e tem efeito queratolítico. “O ácido salicílico em conformação nanotecnológica, permite uma ação gradual e mais eficiente devido à liberação progressiva do ativo”, diz Cristina. A Niacinamide PC é uma vitamina B3 multifuncional que reduz as lesões, promove a biossíntese de colágeno e inibe a formação de manchas. É ideal para aumentar a eficácia de produtos para peles lesionadas pela acne.
 
     Para a prevenção de estrias, Cristina menciona o Regu-Stretch, combinação de peptídeos, vitaminas e extrato orgânico de marrubio, que protege a pele, previne e repara as estrias.
   “Para cabelos, a linha de coloração da Teluca possibilita o desenvolvimento de tinturas oxidativas e pós tinturas, como itens para manutenção de tons platinados. As especialidades Kerazyne e Procondition H22 promovem condicionamento nutritivo e alinhamento capilar, essenciais para um tratamento de choque em fios rebeldes que sofreram exposições físicas, com o uso de chapinha e babyliss, e químicas, decorrentes de alisamentos e colorações”, completa.
 


Produtos para se apaixonar

 
    Adolescentes se rendem a elementos lúdicos e coloridos, a novidades com cheiro e gostinho de fruta, ao charme do glitter e às embalagens colecionáveis, dentre outros vários atrativos. Sem descuidar da saúde e dos cuidados específicos e inerentes a esse grupo de consumidores, as opções que chegam ao mercado exploram conceitos como: praticidade, amizade, moda e amor. Conheça alguns destaques da indústria
 
 
 


Sugestões em matéria-prima

Triple A - anti-acne que regula o equilíbrio hidrolipídico da pele
 
Dermosof Decalat- alternativa 100% natural ao triclosan
 
Biogenic SA-200 - ácido salicílico encapsulado por uma estrutura oligomérica, que facilita a solubilização em água mesmo em altas concentrações. O ativo pode ser adicionado a sabonetes, tônicos e loções
 
Meadowquat HG 70 - agente condicionante quaternário, que contém em sua estrutura grupamentos lipídicos derivados do óleo de meadowfoam [nome popular da planta cuja denominação científica é Limmanthes alba], que confere maleabilidade, aumento da força tensora e retenção da cor aos cabelos”. O ativo também prolonga a duração da fragrância, em produtos para a pele e para os cabelos
 
DuraQuench IQ SA – complexo hidratante que se adapta às necessidades da pele em diferentes ambientes, controlando a hidratação por até 72 horas. Novos testes comprovam ação hidratante duradoura em sistemas enxaguáveis, como sabonetes de limpeza facial hidratante, hidratantes para banho e sabonetes em geral, diminuindo a agressividade dos sistemas
 
Natragem S-140 - solução micelar de limpeza, ideal para peles sensíveis e com ação comprovada
no controle da irritabilidade proveniente dos demais tensoativos
 
Unitrienol T-272 - ativo hidrossolúvel que colabora para o equilíbrio da pele, mantendo a sua hidratação e controlando a produção sebácea de forma imediata e em longo prazo. O ingrediente também tem ação antimicrobiana e antifúngica. É indicado para aplicação em shampoos, loções, sabonetes antissépticos, esfoliantes de limpeza profunda, géis secativos e itens de maquiagem, entre outros produtos
 
NanoSal - molécula nanotecnológica desenvolvida a partir do ácido salicílico, promove renovação celular e tem efeito queratolítico
 

 

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