Produtos Infantis

Ver Revista na íntegra Edição Atual - Produtos Infantis

A ascensão do skincare

Pesquisa da Foreo, marca sueca de tecnologia voltada à beleza, aponta que a região da Australásia (que engloba Austrália e Ásia) está no topo do ranking de gastos na categoria de skincare, seguida por América do Norte e Sudoeste Asiático. Contudo, no que diz respeito à relação gastos versus salário médio, o Brasil – apesar de registrar um dos salários mais baixos do mundo – é o país que mais investe no cuidado da pele.

Segundo o levantamento, 14% dos entrevistados brasileiros investem 12% de seu salário anual em skincare ao longo do ano. Reportagem do jornal Folha de S. Paulo, publicada em agosto deste ano, destaca o aumento do interesse das brasileiras por produtos para o cuidado da face. O público dos tutoriais de maquiagem que viraram febre nos últimos dez anos agora está atento aos primeiros sinais de envelhecimento. No Brasil, as buscas por skincare cresceram 22% entre 2017 e 2018, segundo pesquisa do Google. O crescimento foi ainda maior no YouTube, de 71% no mesmo período.

Esta edição de Cosmetics & Toiletries Brasil aborda na seção Enfoque o prazo de validade, assunto polêmico e que desperta opiniões opostas. Num mundo que passa por profundas transformações econômicas e socioambientais, torna-se cada vez mais relevante a abordagem do tema – no que diz respeito às matérias-primas e aos produtos acabados.

Os artigos técnicos abordam a evolução da maquiagem facial por meio de um resgate histórico; a biologia da pele de bebês e soluções em formulações para atender às necessidades desse tipo de pele; o uso de canabidiol em cosméticos, com uma abordagem da regulação vigente nos Estados Unidos, a qual, eventualmente, poderá ser orientativa para outros mercados.

Renato Muchiuti está em Persona nesta edição.

Hamilton dos Santos
Publisher

Maquiagem do Século XXI - Débora Diorcelia de Souza, Karina Elisa Machado (Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Florianópolis SC, Brasil)

Neste artigo, os autores analisam a evolução da maquiagem facial no século XXI por meio de um resgate histórico

En este artículo, los autores analizán la evolución del maquillaje em el siglo XXI a través de un rescate histórico

In this article as authors analyze the evolution of the facial makeup in the 21st century through a historical rescue

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Formulação para a Pele do Bebê - Nicola Lionetti (Rigano Laboratories S.r.l., Milão, Itália)

Este artigo trata da biologia da pele de bebês, especialmente em um momento em que, globalmente, as afecções da pele estão aumentando. Também propõe soluções de formulação para atender às necessidades específicas desse status imaturo da pele.

Este articulo considera la biología de la piel infantil, especialmente durante un momento en el que, a nivel mundial, las condiciones de la piel comprometidas están en aumento. También propone formular soluciones para satisfacer las necesidades específicas de este estado de piel inmadura.

This column considers infant skin biology, especially during a time when globally, compromised skin conditions are on the rise. It also proposes formulating solutions to meet the specific needs of this immature skin state.

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O Uso de Canabidiol em Cosméticos - Alison Fulton, Sarah Blitz (Sheppard, Mullin, Richter e Hampton, Washington DC, EUA)

Nos Estados Unidos não há proibição clara sobre o uso de cosméticos contendo CBD (canabidiol), mas isso não significa que produtos contendo cânhamo nunca serão regulamentados. Este artigo examina os prós e os contras da compliance de cosméticos com CBD presentes na legislação vigente naquele país.

En Estados Unidos, no existe una prohibición evidente contra el uso de cosméticos que contengan CBD, pero esto no significa que los produtos de càñamo ya estén regulados. Este artículo evalua los entresijos del compliance de cosméticos con CBD, como se mantiene en la regulación actual en ese pais.

There is no outright prohibition against CBD containing cosmetics, but this does not mean hemp products will no longer be regulated. This article reviews the ins and outs of CBD cosmetic compliance as the current U. S. legislation stands.

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Vitamina E no Combate aos Radicais Livres - Prashant Bahadur, Saroja Narasimhan, PhD (Johnson & Johnson, Skillman, NJ, EUA)

Uma estratégia adotada no desenvolvimento de cosméticos para proteger a pele contra a poluição ambiental é incluir antioxidantes em formulações tópicas. Este artigo descreve a síntese e a extração da vitamina E, além de sua estrutura e de sua utilidade nessas aplicações.

Una estrategia cosmética adoptada para proteger la piel contra la contaminación ambiental es la inclusión de antioxidantes en formulaciones tópicas. El presente articulo describe la sínteses y extracción de vitamina E, y su estrutura y utilidade para estas aplicaciones.

One cosmetic strategy adopted to protect skin against environmental pollution is the inclusion of antioxidants in topical formulations. The present column reviews the synthesis and extraction of vitamin E, and its structure and utility for these applications.

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Segurança de Produtos Naturais versus Sintéticos - Bart Heldreth, PhD (Cosmetic Ingredient Review, Washington DC, EUA)

Muitos ingredientes de origem vegetal constam da lista do Cosmetic Ingredient Review (CIR) para consultas em 2019. Este artigo fala sobre como, nem sempre, a opinião pública está de acordo com a ciência até mesmo acerca do significado do termo natural. Além disso, este artigo traz as conclusões do CIR datadas de dezembro de 2018.

Varios ingredientes de origen natural se encuentran en la lista de la Revisión del Ingredientes Cosméticos (CIR) para su consideración em 2019. Este artículo explora como la opinión pública no simpre está en acuerdo con la ciencia, en la medida en que lo natural significa. Además, proporciona conclusiones del CIR con fecha de diciembre de 2018.

Several naturally derived ingredients are on the Cosmetic Ingredient Review’s (CIR’s) list for consideration in 2019. This column explores how public opinion is not always in line with science, as far as what natural means. In addition, it provides CIR conclusions from December 2018.

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Círculos Periorbitais - Katerina Steventon, PhD (FaceWorkshops, LLC, East Yorkshire, Inglaterra)

Os círculos que se formam sob os olhos são clinicamente complexos e difíceis de caracterizar, devido, em parte, à sua natureza transitória. Este artigo analisa, superficialmente, as causas conhecidas da formação desses círculos e as tentativas tópicas de mitigá-las, com um olhar em direção à proteção solar e ao uso de extratos vegetais como perspectivas promissoras.

Los círculos debajo de los ojos son clinicamente complejos y difíciles de caracterizar debido en parte a su naturaliza transitória. Este artículo revisa brevemente las causas conocidas y los intentos tópicos para mitigarlas, con una mirada hacia la protección solar y los extractos de plantas, como perspectivas prometedoras.

Under-eye circles are clinically complex and difficult to characterize due in part to their transitory nature. This article briefly reviews the known causes and topical attempts to mitigate them, with a look toward sun protection and plant extracts as promising prospects.

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Vitamina C associada a Microcorrentes na HPO - PR Carvalho, M Merida Carrillo Negrão, T Ferracini De Goes (Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo SP, Brasil)

A hiperpigmentação periorbital (HPO) é uma das principais queixas nos centros de estética, acometendo principalmente mulheres. A vitamina C tem propriedades despigmentantes e sua ação inibe a melanogênese, com consequente ação clareadora. A terapia das microcorrentes utiliza correntes elétricas de baixa intensidade, em nível subsensorial, que promovem a oxigenação celular. O objetivo deste trabalho é avaliar o uso de vitamina C em associação com microcorrentes no tratamento dessa discromia.

La hiperpigmentación periorbital es una de las principales quejas en los centros de estética, afectando principalmente a las mujeres. La vitamina C tiene propiedades despigmentantes, y su acción inhibe la melanogénesis, con consecuente acción blanqueadora. La terapia de microcorrientes utiliza corrientes eléctricas de baja intensidad, a nivel subsensorial, que promueven la oxigenación celular. El objetivo de este trabajo es evaluar el uso de vitamina C en asociación con microcorrientes en el tratamiento de esa discromia.

Periorbital hyperpigmentation is one of the main complaints in esthetic centers, affecting mainly women. Vitamin C has depigmenting properties, and its action inhibits melanogenesis, with consequent bleaching action. The microcurrents therapy uses low intensity electrical currents, at subsensorial level, that promotes cellular oxygenation. The objective of this study is to evaluate the use of vitamin C in combination with microcurrent in the treatment of this dyschromia.

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John Jimenez
Tendncias por John Jimenez

Kidmetics

Recentemente ouvi essa frase da Luciana, que tem 7 anos e filha de uma grande amiga: Me, eu no quero ter rugas como voc! Meu protetor solar bsico e por isso eu no vou ter manchas no meu rosto! Este depoimento me inspirou a escrever a coluna desta edio. O mercado de cosmticos para crianas est se expandindo nas principais regies, em parte graas promoo da maquiagem como uma cultura ldica para as crianas e tambm por causa da ascenso da tendncia da clean beauty. Por outro lado, o tamanho do mercado global para bebs foi estimado em US$ 10,91 bilhes em 2017, com um CAGR estimado de 5,5%. Em seguida, veremos algumas das tendncias nesses segmentos.

- Premium skin care: Mintel publicou recentemente que uma oportunidade para as marcas que lanam produtos para bebs usar valores premium em novos conceitos de cuidados com a pele. A ideia desenvolver linhas de alta qualidade para pais e bebs, com nfase em segurana e clean beauty. Por esse motivo, estamos vendo como as principais marcas de produtos de cuidados com a pele para adultos esto se expandindo nos cuidados pessoais do beb.

- Lipsticks in kindergarten: As marcas na Coreia do Sul esto oferecendo cosmticos saudveis para crianas, como batons no-txicos, em alguns casos comestveis. Tambm estamos vendo lanamentos de produtos como esmaltes base de gua. Nos centros de beleza, vemos rotinas de spa para meninas que incluem massagens nos ps, mscara facial e manicure.

- Babybiome: As novas descobertas no microbioma e na microbiota so surpreendentes. Recentemente, uma famosa marca global lanou uma linha de produtos que se adaptam ao microbioma do beb. A maior preocupao dos pais em todo o mundo a de comprar produtos para o cuidado pessoal do beb, que sejam formulados para peles sensveis e evitem alergias. Estamos vendo claims como aprovadas por dermatologistas, pediatras e oftalmologistas.

- Smart diapers: Uma renomada empresa acaba de lanar fraldas inteligentes que rastreiam a atividade do beb, indicando, graas a um sensor de atividade, quando a fralda est molhada. O produto tambm rastreia os padres de sono. As informaes so compartilhadas em um aplicativo que cria informaes personalizadas sobre as condies de desenvolvimento do beb.

- Kids beauty: O boom da tendncia K-beauty tambm est chegando com propostas muito interessantes para crianas. O body glitter tambm comea a ficar na moda. Na Coreia do Sul, as vendas de cosmticos entre adolescentes de 13 a 19 anos dobraram em 2016. Na Amrica Latina, tambm estamos vendo a ascenso de spas e sales de beleza para crianas.

- Kid-Friendly fragrances: Na formulao, vemos o aumento de perfumes, colnias e guas sem lcool e dentro de suas indicaes de uso aconselhvel aplicar na roupa. Dentro de algumas notas olfativas comuns encontramos: chocolate, laranja, neroli, hortel, pistache, mel, jasmim, baunilha, uva, camomila, tangerina e bergamota. Tambm vemos lanamentos de ultraluxo nesta categoria. Um exemplo o perfume que acaba de lanar uma casa de fragrncias na Inglaterra e que remete a uma manh quente de primavera em um jardim de flores encantado e custa 120 libras esterlinas.

- Cornrows: A tendncia sem gnero tambm uma febre na populao infantil e a vemos em roupas, calados, brinquedos e cosmticos. Nos hair care, vemos a ascenso de cortes unissex que funcionam para todas as crianas. Meninas encurtam o cabelo, meninos alongam e vemos, por exemplo, como a diversificao de modelos em tranas est ganhando popularidade em todos os gneros.

- Kids spa & kids salon: Essa tendncia tambm est crescendo na Coreia, pois h spas especializados para crianas. Nas novas children boutiques, podemos ver conceitos originais de mscaras orgnicas, shampoos, sabonetes lquidos e produtos de aromaterapia e aromacologia.

- Make-up color game: O surgimento da realidade virtual tambm est presente em novas aplicaes que misturam jogo, maquiagem e experincia. Estamos vendo novas plataformas e aplicativos que permitem que as crianas interajam com tcnicas de maquiagem e masks com diferentes ingredientes, incluindo naturais, para princesas e bonecos, conseguindo assim diferentes estilos, acabamentos e vestidos.

Kidmetics = Kid + Cosmetics. Ela usa cremes corporais com aromas divertidos e tambm perfumes no-alcolicos. Ela uma heavy user de mscaras em casa e no spa. Outra frase que chamou minha ateno foi: O sabonete ntimo obrigatrio para todas as meninas... Luciana reflete a nova conscincia da populao infantil em relao aos cosmticos, e isso representa uma grande oportunidade de inovao para as marcas, j que a promoo do uso responsvel de cosmticos na populao infantil influencia a sade, o bem-estar e a autoestima.

Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Mercosul e Unio Europeia como eles nos afetam?

H poucos dias, a relao Mercosul/Unio Europeia estremeceu em relao s declaraes do chefe de Estado, nosso presidente, sobre as atuais questes polticas do nosso terceiro parceiro econmico mais importante: a Argentina.

O que representa o Mercosul (Mercado Comum do Sul) para o destino econmico do Brasil? H duas colunas atrs, falvamos sobre OMC ou OCDE: onde pr o p? (Maio/Junho 2019). O Mercosul no deixa de ser mais uma destas importantes organizaes com objetivos de posicionamento de uma economia no jogo geopoltico. A instituio nasceu do desejo de integrao regional da Amrica Latina, surgido no contexto da redemocratizao (fim dos governos militares na Argentina e no Brasil) e da reaproximao dos pases da regio ao final da dcada de 1980 (muito em virtude da guerra das Malvinas) estabelecida entre os pases signatrios do Tratado de Assuno, de 1991, para a formao desta rea de Livre Comrcio.

Atualmente, os quatro pases signatrios representam uma populao de 244 milhes de habitantes, com um PIB total de US$ 2,68 trilhes (PIB per capita de US$ 10.342) excluda a Venezuela, que est suspensa desde 2016. Em conjunto, os pases representam a quinta maior economia mundial.

Aps vinte anos do incio das conversas, no fim de junho de 2019, foi anunciada a concluso da negociao do acordo entre o Mercosul e a Unio Europeia. Porm, muitos mais anos sero necessrios para que ele seja concludo, o que no impede que os pases, se assim o quiserem, comecem a se valer de seus benefcios agora.

Analisando o fluxo bilateral entre Brasil e a UE no ano de 2018, verifica-se um valor total das exportaes de US$ 32 bilhes, sendo 40% delas referente a produtos do agronegcio, alm do fato de que a maioria dos demais produtos j possuem tarifas de importao consideradas muito baixas ou zero, o que a princpio nos deixa poucas perspectivas de aumento do faturamento. Os demais pases membros do Mercosul que representam US$ 10,5 bilhes, sendo mais expostos aos produtos do agronegcio - 61%, tambm apresentam muitos produtos j com tarifas iguais a zero, porm com um potencial de ganho nas exportaes no conjunto maior do que o Brasil isoladamente.

Do ponto de vista das importaes do Brasil oriundas da UE, o quadro se inverte: no mesmo perodo, as importaes atingiram US$ 33,2 bilhes, sendo 91% de produtos industrializados (maior valor agregado, como medicamentos, qumicos etc.) e, em geral, com tarifas de importao consideradas altas (superiores a 10%).

J os demais pases do Mercosul tm as importaes na ordem de US$ 4,6 bilhes, com representao tambm de 90% de produtos industrializados, porm com tarifas de importao mais altas do que o Brasil, o que representa um ganho menor nas importaes no conjunto quando comparadas com o Brasil.

Olhando o mercado cosmtico no ano de 2018, vemos um saldo na balana comercial entre Brasil e UE na ordem de US$ -143,20 milhes (exportaes US$ 189 e importaes US$ 332,2), sendo que 80% das exportaes esto concentradas em trs categorias (sendo apenas uma delas de produto final: outras preparaes capilares), enquanto as importaes concentram-se em sete categorias, tendo quatro delas de produto final: perfumes (extratos) e guas-de-colnia; outros produtos de beleza ou de maquiagem preparados; outras preparaes capilares; produtos de maquiagem para os olhos.

Vale salientar que as tarifas imposta pela UE s exportaes do Mercosul so de 2,47%, enquanto as importaes da UE so taxadas em 14% pelo Mercosul.

Em sntese, a reduo (ou eliminao) de tarifas entre Mercosul e UE tende a trazer maiores ganhos para as importaes da UE, favorecendo a balana comercial deles, seja pela magnitude das tarifas hoje aplicadas, seja pela maior diversifi cao da pauta potencial de vendas.

Visto numa perspectiva mercantilista, de soma zero, parece que os pases do Mercosul teriam menos a ganhar com o acordo, na medida em que seus produtos j enfrentam tarifas prximas a zero e no podero baixar muito. No entanto, o comrcio internacional no pode ser entendido como um jogo de soma zero, em que os ganhos de um lado so perdas do outro. A liberalizao do comrcio, com reduo de barreiras tarifrias e no tarifrias, representa ganhos na medida em que permite aos pases aproveitarem as suas vantagens comparativas, exportando os produtos dos setores em que so mais competitivos e importando a um preo menor os bens de setores em que so menos competitivos. Dessa maneira, o acordo possibilitar que os pases do Mercosul adquiram bens de capital e bens intermedirios a preos menores, gerando reduo de custos de produo, com benefcios generalizados para todas as economias e aumento geral da competitividade.

No entanto, esta estratgia no pode ser a poltica fim, mas transitria, apenas tendo como fim a preparao da fuga da economia nacional de um pas tipicamente exportador de commodities para uma economia exportadora de produtos industrializados de maior valor agregado. Do contrrio, estaremos eternamente acorrentados ao binmio colnia/metrpole h tanto tempo institudo nas republiquetas latinas e que custa a nos abandonar.

Wallace Magalhes
Gesto em P&D por Wallace Magalhes

Certo ou errado?

Existem, basicamente, trs maneiras, ou seja, trs jeitos de realizar uma mesma tarefa. O jeito certo, o errado e o mais ou menos.

Quando algum realiza uma tarefa, vai se encaixar em uma destas trs classes. Pode parecer simplista, mas s existem estas trs. assim em todas as atividades, independentemente de sua natureza ou complexidade. Obviamente, tambm assim no P&D. E razovel imaginar que empresas e pessoas inclusive especialistas - que fazem do jeito certo so os que tm maior valor. Por isso, muito importante se avaliar constantemente.

Para comear, preciso ter em mente que a definio de certo e errado tem a ver com o momento. O jeito certo de ontem no , obrigatoriamente, o jeito certo de hoje. E esta uma grande armadilha, principalmente em uma situao como a atual, em que tudo se transforma em alta velocidade. No ambiente corporativo ou tecnolgico, aquela histria de j fazemos assim h muito tempo ou sempre fizemos assim e deu certo normalmente fica fora de propsito, principalmente porque denota acomodao, o que altamente temerrio e at dramtico em tempos de grandes mudanas, principalmente se envolve mercado.

Considerando especificamente o P&D e eliminando o fator pessoal, os principais elementos que determinam se uma tarefa est sendo feita do jeito certo so a tecnologia, as normas regulatrias e a coerncia com o mercado. Em tecnologia, temos que considerar primeiramente capacidade de obter, interpretar, processar, gerar e armazenar informao. Se isto no estiver bem equacionado, haver naturalmente perda de eficincia, alongamento de prazos, perda de dados e at inconsistncia regulatria. Isto significa aumento de custo e pode gerar perda dos valores investidos no trabalho. Muitas vezes, este requisito negligenciado at pelos tcnicos. Ainda sobre tecnologia, devem ser avaliados tanto os recursos disponveis, como tambm a atualidade e adequao dos procedimentos e protocolos adotados. Recursos insuficientes e protocolos ultrapassados reduzem ou at eliminam a possibilidade de acerto. Em um mercado competitivo, se no houver meios para avaliar todos os atributos do produto e comparar com os existentes no mercado, as chances de sucesso ficam muito reduzidas. Para fazer certo, tem que haver investimento em recursos e ter tempo para desenvolver e aprimorar protocolos. Sobrecarga operacional no P&D um jeito errado.

Outro fator determinante da correo de uma tarefa no P&D a legislao, principalmente a sanitria. Um exemplo icnico ocorreu em 2005, quando a Anvisa criou a obrigatoriedade de elaborar o dossi de produto. Alm de facilitar aes de uma auditoria, a ideia bsica deve ter sido orientar o processo de desenvolvimento de forma a abordar todos os pontos tecnicamente relevantes. Assim, o dossi deve ser montado medida que o trabalho vai avanando. O que estranho que, at hoje, quase quinze anos depois, existem empresas e tcnicos que ainda no adotam esta prtica e no tm estas informaes dispostas de acordo com a norma, hoje especificada no Anexo III da RDC 288/19. E a desculpa que, se a fiscalizao pedir, o dossi ser montado. O equvoco que a norma j exigiu que estivesse montado. E o que na prtica acontece que quem adota esta conduta normalmente no tem todos os dados necessrios. A vira um corre-corre, com perda de tempo, aumento de custo e risco de penalidade. Definitivamente, no o jeito certo.

E, por fim, o fator mercado. Alm da capacidade de compra, tm que ser levadas em conta as expectativas e as reais necessidades dos consumidores. Isto no pode ficar restrito a dados tericos e nem ao discurso de marketing. Alm de estabilidade e segurana estudos obrigatrios , o certo fazer avaliao de eficcia mesmo nos casos em que no h exigncia. Esta etapa um desafio, principalmente em produtos para a pele, em que os modelos alternativos podem no ser facilmente aplicveis, e por causa da Resoluo 466/12 do Conselho Nacional de Sade. Mas alternativas existem e devem ser pesquisadas.

E o jeito mais ou menos? Este o mais perigoso de todos. Ele pode parecer certo e ser, na verdade, totalmente errado. Conseguir desenvolver um produto de custo adequado, estvel, de tima aparncia, de sensorial agradvel, com ingredientes nas concentraes permitidas, mas sem cumprir todo um protocolo tcnico e sem atender integralmente a todas as exigncias da legislao , na melhor das hipteses, o jeito mais ou menos no P&D.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Prticas por Carlos Alberto Trevisan

Precaues na elaborao de produtos naturais

Na atualidade, cada vez mais, h forte tendncia a utilizar insumos considerados naturais em razo dos apelos da sustentabilidade e da reduo de resduos e de efluentes agressivos ao meio ambiente.

Inicialmente, havia a integrao da produo animal e vegetal, substituindo as rotaes trienais de cereais, nas quais se intercalava a permanncia do gado nos terrenos a serem cultivados na estao seguinte dessa forma, os animais proviam a matria-prima para a adubao. A isso se seguiu a introduo de fertilizantes (adubos qumicos). Poucos quilogramas de adubo qumico produzem o mesmo efeito de toneladas de esterco animal e reduzem o esforo humano.

A introduo de fertilizantes minerais solveis na agricultura foi acompanhada da mecanizao motorizada do campo e do uso de agrotxicos.

Isso levou ao surgimento da terceira revoluo agrcola a chamada revoluo verde. Os resultados dessa revoluo foram o aumento expressivo da produtividade e a elevao do volume da produo agropecuria no mundo, que ocorreram por causa do uso intensivo de adubos minerais solveis, inseticidas, acaricidas, fungicidas e herbicidas. Alm disso, houve o melhoramento gentico de espcies vegetais como resposta ao uso de insumos modernos, ao alto grau de mecanizao e especializao das atividades humanas na agricultura.

O conceito de sistema orgnico de produo agropecuria e industrial abrange os conceitos denominados ecolgico, biodinmico, natural, regenerativo, biolgico, agroecolgico, permacultura, entre outros que atendem os princpios estabelecidos pela Lei n. 10.831/2003, que dispe sobre a agricultura orgnica.

Sistema orgnico aquele em que se adotam tcnicas especficas baseadas nos princpios da produo orgnica. Consiste em desenvolver produtos e servios que procuram satisfazer as necessidades da gerao atual sem comprometer a capacidade de as geraes futuras satisfazerem suas prprias necessidades.

O sistema orgnico tambm preconiza a minimizao da dependncia do uso de energia de fontes no renovveis.

Isso implica a reduo do uso de insumos dependentes do petrleo na produo e no transporte, como:

- fertilizantes nitrogenados;
- agrotxicos sintticos;
- mecanizao;
- no gerao de resduos txicos;
- preservao da diversidade biolgica dos ecossistemas naturais;
- respeito s normas ambientais;
- eliminao do uso de transgnicos;
- eliminao do uso de radiaes ionizantes em qualquer fase entre o plantio e o consumo dos produtos.

Deve-se, no mnimo, controlar os fornecedores dos insumos, auditando as unidades produtivas pelo menos uma vez por ano.

Essa auditoria deve ser realizada por meio da verificao de:

- documentos legais da empresa;
- garantias dos insumos;
- produtos em certifi cao frmulas, rtulos etc.;
- sistema de qualidade procedimentos e registros;
- rastreabilidade;
- instalaes produo e estocagem;
- procedimentos de limpeza;
- gesto de resduos.

Todo produto vegetal natural, lembrando que esses produtos podem ser cultivados com o uso de agrotxicos e adubos qumicos.

Todo produto orgnico natural, porm nem todos os produtos naturais so orgnicos.

Todo produto orgnico resultante do cultivo de um vegetal sem o uso de adubos qumicos ou agrotxicos. um produto limpo, que provm de um sistema de cultivo que segue as leis da natureza. Seu manejo agrcola est baseado no respeito ao meio ambiente e na preservao dos recursos naturais.

- O que um ingrediente orgnico?

um ingrediente botnico cuja produo e transformao esto definidas por leis internacionais e do Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento (Mapa). O ingrediente orgnico produzido sem produtos sintticos ou organismos geneticamente modificados. Tambm existem critrios para a classificao de produtos cosmticos naturais e orgnicos que esto definidos em normas nacionais e internacionais.

Os princpios da qualidade aplicveis aos produtos cosmticos naturais e orgnicos sero apresentados na sequncia, nesta coluna, na prxima edio.

Denise Steiner
Temas Dermatolgicos por Denise Steiner

Queda de cabelo chamada eflvio telgeno

Chamamos de eflvio telgeno (ET) a queda exagerada de cabelos que dura de dois a quatro meses aps um estmulo e que faz com que ocorra um desequilbrio no ciclo folicular, no qual os pelos, na fase angena (fase de crescimento), passam precocemente s fases catgena (de transio) e telgena (de repouso e queda). Pode haver a queda de mais de 600 fios por dia.

As causas do eflvio telgeno podem ser as seguintes: ps-parto, contraceptivos orais, febre, dietas de emagrecimento, deficincia de ferro, deficincia de zinco, estados tensionais prolongados, doenas sistmicas e dermatite de contato no couro cabeludo.

Cerca de 30% dos pacientes com ET apresentam dor no couro cabeludo. Um paciente pode chegar a apresentar queda de at 60% dos fios de cabelo. Os pelos so facilmente destacveis, sendo a queda exagerada a queixa principal. Em fases iniciais, o teste de trao suave positivo. A anlise dos cabelos eliminados espontaneamente mostra queda muito aumentada, e a microscopia dos fios exibe cabelos na fase telgena e alguns fios com alongamento de saco epitelial, caracterstico de telgeno recm-formado. O tricograma indica grande quantidade de cabelos na fase telgena. Aps algum tempo, quando o paciente j se encontra em fase de resoluo, o teste de trao suave torna-se negativo, e a anlise dos cabelos eliminados espontaneamente mostra uma queda normal.

Diversas alteraes do organismo que provoquem estresse, febre e debilidade do estado de sade geral podem promover queda de cabelos alguns meses aps o perodo do problema enfrentado. Esse tipo de perda dos fios, chamado de eflvio telgeno, ocorre devido mudana precoce do fio da fase de crescimento para a de repouso. Um exemplo: suponhamos que um indivduo teve uma pneumonia que causou febre, mal-estar e tosse. Nessa situao, o corpo precisa de energia para reforar a imunidade e defender o organismo como um todo. Assim, h uma mensagem interna para que o cabelo diminua o gasto de energia com a diviso celular da fase de crescimento (angena) e entre imediatamente na fase de repouso (telgena). Considerando o tempo mdio de durao de cada fase, cerca de dois a quatro meses depois da pneumonia regredir, a pessoa poder ter uma queda de cabelo significativa e maior do que est acostumada, pois os fios que entraram antes na fase de repouso iro cair quase todos precocemente. Sem a lembrana de que teve a pneumonia alguns meses atrs, a pessoa poder deixar passar em branco a verdadeira causa desse sintoma.

De modo geral, tudo o que gera estresse orgnico, ou seja, alterao no funcionamento normal do organismo, pode desencadear o sofrimento do folculo piloso e acelerar a passagem da fase de crescimento capilar para a fase de repouso. As principais alteraes no organismo envolvidas com a queda de cabelo so:

- Alimentao inadequada, pobre em protenas, vitaminas e minerais (principalmente dietas extremamente restritas que envolvem perda abrupta e intensa de peso) ou anemia;

- Alteraes hormonais (endgenas ou exgenas) relacionadas ao uso de anticoncepcionais, perodos de ps-parto ou ps-menopausa ou, ainda, provocadas por estresse emocional;

- Doenas metablicas, inflamatrias e infecciosas, febre, neoplasias (cncer);

- Medicamentos (antidepressivos, emagrecedores etc.).

- Na dermatoscopia, destaca-se: diminuio da densidade capilar, grande quantidade de acrotrquios vazios.

- Na histopatologia: nmero total de folculos pilosos normal, mais de 25% de folculos em fase telgena, relao de folculos terminais e velos com distribuio normal tanto em cortes superficiais quanto em cortes profundos. No ET crnico, as alteraes so discretas. Apenas em fases tardias pode haver aumento discreto do nmero de pelos do tipo velos.

O tratamento consiste em:

- Medicamentos eletivos para as causas citadas quando presentes;

- Esclarecer que a perda de at 100 fios por dia normal;

- Pode ser til uma dieta rica em protenas, minerais e vitaminas;

- Procurar ajudar no estado do controle emocional;

- Esclarecer que a melhora do quadro pode demorar alguns meses e que a percepo da recuperao tambm pode ser demorada, pois os fios crescem em mdia 1 cm ao ms e, em especial nas pessoas com cabelos compridos, a recuperao esttica pode levar mais de um ou dois anos para acontecer.

De qualquer forma, aps afastada a causa, o procedimento se normaliza cerca de dois a trs meses depois e ocorre uma recuperao total dos cabelos.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Tricologia peditrica

Apesar de ser um rgo com funcionalidade semelhante, a pele das crianas difere da pele dos adultos em suas caractersticas morfolgicas e fisiolgicas. Sob o aspecto morfolgico, os bebs apresentam na hipoderme e na epiderme camadas mais finas e circulao perifrica menos acentuada. A derme menos corneifi cada, com poucos pelos e alto teor de gua, sendo, dessa forma, mais hidratada. Tal grau de hidratao torna a pele da criana mais permevel e propensa absoro de substncias, oferecendo, por outro lado, menor resistncia aos agentes agressores.

A imaturidade das estruturas que constituem o tecido cutneo e subcutneo outro fator que torna a pele das crianas menos apta a manter o equilbrio homeosttico e mais suscetvel penetrao de materiais externos, potencialmente prejudiciais.

O pH cido da pele um fator de proteo a bactrias patognicas e auxilia na manuteno da integridade e coeso do estrato crneo. No recm-nascido, o pH prximo do neutro e s se estabiliza no primeiro ms de vida, quando atinge valores prximos ao do adulto, em torno de 5,7.

Somente a partir dos 2 ou 3 anos de idade que a pele de uma criana passa a ter as mesmas caractersticas da pele adulta, exercendo completamente a funo de barreira entre o meio externo e o meio interno.

O mercado de cosmticos infantis vem apresentando um crescimento importante nas ltimas dcadas, sinalizando que crianas e adolescentes so um novo grupo de consumidores. Esse fato vem chamando a ateno da indstria farmacutica, de pais, mdicos e autoridades sanitrias para o perfil e a segurana de tais cosmticos.

Alguns acometimentos so mais comuns em crianas e outros so raros. Existem genodermatoses, que so alteraes genticas que felizmente ocorrem em pequenas quantidades, e existem situaes bem mais frequentes, que ocorrem com muita intensidade.

A ttulo de amostragem, escolhemos duas dessas ocorrncias:

A primeira a sndrome dos cabelos angenos frouxos (SCAF), descrita inicialmente por Ndl, e caracteriza-se pela presena de fios de cabelo esparsos no couro cabeludo, com crescimento anormal e sem necessidade de cortes frequentes. Os fios de cabelo so facilmente retirados do couro cabeludo, de forma indolor e sem quebra.

As alteraes geralmente aparecem na infncia (entre 2 e 5 anos), sendo ambos os sexos afetados. A maioria das crianas tem cabelos loiros, embora possam ser observadas algumas com cabelos castanhos. Ocorre comumente na populao branca, mas no raro em indivduos de pele escura.

A herana, na maior parte dos relatos, autossmica dominante, e o achado essencial a retirada fcil de cabelos, em fase anágena, do couro cabeludo.

A clnica da SCAF caracteriza-se por rarefao e reduzido comprimento dos cabelos, os quais se desprendem facilmente do couro cabeludo, podendo ser extra dos de forma indolor mediante leve trao.

Os cabelos so mais finos que o normal e no necessitam ser cortados com frequncia, pois crescem lentamente. Esse fato mais frequentemente notado em meninas, que em geral usam os cabelos mais compridos.

No outro extremo das alteraes capilares e do couro cabeludo em crianas, vamos encontrar a dermatite seborreica.

A dermatite seborreica uma doena muito comum e recorrente, caracterizada por cronicidade, inflamao e descamao epidrmica e distribuda em ampla faixa etria. A abordagem teraputica deve seguir trs vias de ao: controle da inflamao, controle da proliferao fngica e controle da oleosidade epidrmica.

vlido ressaltar a extrema importncia do acompanhamento por utilizao de mtodos de ateno mdica do paciente com medidas no farmacolgicas, como indicao de rotinas de higiene adequadas e mudanas em hbitos de vida no condizentes com sua condio clnica.

Cuidados especiais de higiene, com uso de shampoo adequado ao tipo de pele, tornam o tratamento mais fcil e de resoluo mais rpida. A palavra de ordem, neste caso, equilbrio, que deve vir com o tratamento medicamentoso correto, o qual ir depender da localizao das leses e da intensidade dos sintomas, a alterao de hbitos nocivos e a eliminao dos fatores reguladores.

Normalmente os recm-nascidos no tm cabelos visveis e no precisam fazer uso de shampoo. Em lactentes e crianas, o uso mais comum. No existe uma frmula peditrica padronizada. Eles se baseiam, normalmente, em agentes anfotricos, no inicos. Enquanto o cabelo curto, fino e frgil, no necessrio usar shampoos, e o mesmo produto utilizado para o corpo pode ser usado para o cabelo.

Produtos de estilo e modifi cadores da estrutura da haste, como alisantes, devem ser evitados por motivos orgnicos e culturais.

sempre bom ter em mente que a principal matria-prima de qualquer formulador sempre o bom senso!

Artur Joo Gradim
Assuntos Regulatrios por Artur Joo Gradim

De olho no amanh, sem excessos ou desperdcios

A dinmica de alterao na rotulagem dos produtos de HPPC grande, ora voluntria, promovida pelas empresas para incluir novos apelos mercadolgicos e/ou novo design para a concepo grfica, ora compulsria, como o caso do disposto nos regulamentos tcnicos ou nos atos administrativos, cujas atualizaes ou reformulaes quase sempre impactam a rotulagem.

Essas atualizaes ou reformulaes regulatrias exigem a elaborao de uma nova arte para a embalagem/rotulagem do produto, com o novo texto legal. Alm disso, o prazo para sua implementao nem sempre suficiente para esgotar os estoques da verso anterior, fato que gera descartes de rtulos e/ou embalagens.

Pois bem, diante do atual cenrio econmico, embora o setor venha apresentando crescimento magro (porm acima da maioria dos demais ndices industriais do pas e de nossos parceiros do Mercosul), associado a uma variao cambial louca reflexo do comrcio internacional e de nossas reformas internas, nas nossas indstrias ainda so necessrias aes de conteno, de modo a evitar custos extraordinrios alm dos j planejados.

Nesse sentido, fao referncia aos valiosos ensinamentos inseridos na coluna do meu amigo de longa data Antonio Celso da Silva, com o ttulo A morte das embalagens secundrias (Embale Certo, C&T Brasil, Maio/Junho 2019, pg. 60). Na referida coluna, Antonio Celso abordou a tendncia da progressiva substituio das embalagens secundrias dos produtos de HPPC, como forma de reduzir custos, utilizando tecnologias de impresso, aplicando-se a realidade virtual ou aumentada (QR Code), com leitura por celular, j disponveis e praticadas no pas, inclusive por fabricantes do nosso segmento.

Assim, embora na rotulagem, vista do consumidor, j tenhamos disponvel um caminho aberto para o texto de rotulagem dos nossos produtos, abordando aspectos mercadolgicos e promocionais, claims storytelling, certificaes, apelos ambientais, entre outros, no obrigatrios, falta consultar o rgo regulador, a Anvisa, para saber que dados constantes de rotulagem so obrigatrios. Caso contrrio, por ora, nem tudo so flores, so to somente espinhos, uma vez que continuaremos com os mesmos problemas de hoje, principalmente nos produtos de baixo volume ou peso (batons, esmaltes, entre outros). Nesses produtos, devido sua diminuta rea da embalagem, faz-se necessria uma viso mais do que acurada (ou uma lupa potente) para realizar sua leitura.

No seria fora de propsito, quando estiverem sendo adotadas as novas tecnologia de realidade virtual, fossem essas usadas para obter parte dos dados obrigatrios na rotulagem dos produtos, por exemplo, o CNPJ e o endereo completo do fabricante ou do importador, o nmero da Autorizao de Funcionamento e o nmero do processo ou do registro do produto, dados esses que no so considerados obrigatrios pela grande maioria das legislaes internacionais sobre rotulagens, inclusive aquelas de referncia da legislao brasileira, ou seja, as dos Estados Unidos e da Unio Europeia.

Concluindo e em paralelo, desejo ao grupo de trabalho brasileiro, que, em conjunto com os demais representantes dos pases-membros, alcancem o resultado esperado pelo setor nesta importante fase de atualizao do Regulamento Tcnico de Rotulagem do Mercosul que, aps aprovao, ser internalizado em nossa legislao.

De minha parte, pessoalmente, vejo com preocupao a incluso da advertncia Em caso de ingesto, ligue imediatamente para o Disque Intoxicao 0800-722 6001, que est sendo proposta. Sua aprovao implicaria em, literalmente, jogar no lixo todas as embalagens existentes e refaz-las incluindo essa nova meno, satisfazendo, dessa forma, o ego de poucos. Essa proposta no nova. No sculo passado, houve uma tentativa de sua implementao, que, porm, no foi rejeitada.

A hora, como desejam todos os normais, de avanar e no de produzir retrabalho sem valor agregado para o consumidor.

Antonio Celso da Silva
Embale Certo por Antonio Celso da Silva

Logstica reversa: o cinto est apertando

Quem olha o setor cosmtico de fora para dentro, principalmente vendo e ouvindo que no tem crise, imagina que vivemos em uma praia do Caribe, onde as guas so calmas e lmpidas, onde o vento uma brisa constante e o sol brilha o ano inteiro.

Ns que estamos do lado de dentro bem sabemos que isso uma mera iluso. O sol brilha, mas no para exatamente todos, e as guas lmpidas e claras so na verdade turbulentas e nem sempre vemos o nosso prprio p, por mais raso que estejamos caminhando.

O que quero dizer com isso que o empresrio brasileiro no tem sossego com a avalanche de leis, normas e decretos, transformando tudo em uma torre de babel. Quando ele pensa que a tempestade passou, j est de frente com outra e, normalmente, maior e mais perigosa que a anterior.

Ele imaginava que sua vida estava difcil por conta da palavrinha CGEN, que veio com fiscalizaes, autuaes e boletos milionrios para pagar no dia seguinte. Muitos ainda sequer sabem se esto enquadrados ou no nessa lei.

Na verdade, o empresrio no fundo no reclama da lei, mas da desinformao, da complexidade, das dvidas e do medo das consequncias, caso no se adeque.

Com essa mesma apresentao, agora ele se depara com a Logstica Reversa, no que a lei seja nova, mas, de repente, ele fica impedido de manter sua fbrica funcionando simplesmente porque no faz parte ou no aderiu a um programa de logstica reversa. E o que pior: ele s descobre isso quando vai revalidar uma licena.

No estou aqui reclamando ou sendo contra, at porque a lei existe e tem que ser cumprida, mas sendo um porta-voz para um grande nmero de empresas, principalmente as pequenas e mdias, que ficaram sabendo porque so associadas a uma ou outra entidade do setor e no pelo que seria o mais normal, que deveria ser uma ampla divulgao por parte do governo, para que elas pudessem se adequar. Aquelas que no so filiadas a nenhuma associao so as primeiras a serem autuadas, no porque no querem se adequar, mas por desconhecerem as novas regras.

Repetindo, em resumo, o empresrio no est reclamando da lei, a exemplo do CGEN, mas da maneira complicada e mal divulgada como vem acontecendo.

Por uma questo de justia, preciso deixar claro que a Poltica Nacional de Resduos Slidos (PNRS) existe desde 2010 atravs da Lei Federal n 12.305/2010 e Decreto Federal n 7.404/2010. Muitas empresas achavam que descartando corretamente seus resduos, incluindo as embalagens, atravs de empresas especializadas e legalmente autorizadas, estariam cumprindo a lei, principalmente porque para fazer isso elas so obrigadas a possuir o CADRI (Certificado de Autorizao de Destinao de Resduos Industriais).

A novidade foi a criao em So Paulo do Decreto de Diretoria Cetesb n 76/2018, que incorpora a logstica reversa no mbito do licenciamento ambiental, o que quer dizer que, se a empresa no tiver um programa de logstica reversa comprovado ou aderido a algum programa atravs de uma entidade que seja signatria do programa, ela no conseguir fazer a renovao da sua Licena de Operao (LO). Isso vale por enquanto para So Paulo e para fbricas acima de 1.000 m, porm, a partir de 2021, valer para todas as fbricas, sem limite de tamanho, e com certeza para todos os estados.

O que complica muito que cada estado tem a sua regra e elas no so iguais.

Segundo a lei, o empresrio precisa fazer a logstica reversa de pelo menos 22% do total de embalagens dos seus produtos colocadas no mercado em venda ao consumidor no ano anterior, no perodo de janeiro a dezembro. E essa operao precisa ser fechada at o dia 31 de maro do ano posterior.

Com isso, torna-se bsico que a empresa saiba o qu e quanto em unidades ela vendeu no ano anterior e o respectivo peso total de plstico, metal, papel e vidro utilizados nas embalagens.

importante ressaltar que isso vale para as marcas e os fabricantes, incluindo os terceiristas que fabricam no sistema full service e tm o seu nome na rotulagem dos produtos da marca.

Tambm importante ressaltar que, se a empresa associada a alguma entidade do setor, cada uma delas tem sua maneira de amparar seu associado e atender legislao, porm, preciso procurar sua entidade e entender o que precisa ser feito.

O que pretendo com esse texto fazer um alerta s empresas que no se adequaram ou acham que a lei no para elas.

Procurem saber sobre a lei, entender sua extenso e se adequar. Citei aqui apenas alguns tpicos para chamar a ateno.

O caminho mais curto, como disse, talvez seja atravs de associaes do setor, associaes que estejam engajadas e autorizadas legalmente.

No deixem para amanh. Poder ser tarde.

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